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TRANSPLANTES E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
::
DOAÇÃO ::
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Breve
Histórico:
O Primeiro Transplante realizado no Brasil
A atividade de transplantes de órgãos
e tecidos no Brasil iniciou-se no ano de 1964 na cidade
do Rio de Janeiro, e no ano de 1965, na cidade de
São Paulo, com a realização dos
dois primeiros transplantes renais do país.
O primeiro transplante cardíaco ocorreu também
na cidade de São Paulo, no ano de 1968 realizado
pela equipe do Dr. Euclides de Jesus Zerbini. Este
fato ocorreu pouco menos de um ano após a realização
do transplante pioneiro efetuado pelo Dr. Christian
Barnard, na África do Sul.
Desde o período inicial até os dias
atuais, esta atividade obteve uma evolução
considerável em termos de técnicas,
resultados, variedades de órgãos transplantados
e número de procedimentos realizados. Mesmo
com a existência da lei nº. 5.479, de 10
de Agosto de 1968, posteriormente revogada pela lei
nº. 8.489, de 18 de Novembro de 1992, a qual
dispunha sobre a retirada e transplante de tecidos,
órgãos e parte de cadáver para
finalidade terapêutica e científica,
não havia neste período, uma legislação
apropriada que regulamentasse a realização
de transplantes. O que havia eram regulamentações
regionais, desenvolvidas informalmente quanto à
inscrição de receptores, ordem de transplantes,
retirada de órgãos e critérios
de destinação e distribuição
de órgãos captados.
Na medida em que grande parte dos procedimentos realizados
era financiada por recursos públicos e que
se subentendia que os órgãos captados
eram “bens públicos”, cresceu,
na sociedade brasileira, entre os gestores do SUS
e na própria comunidade transplantadora, o
desejo de regulamentar a atividade, criar uma coordenação
nacional para um sistema de transplantes e definir
critérios claros, tecnicamente corretos e socialmente
aceitáveis e justos, de destinação
dos órgãos.
Em 1997, foi criada a chamada “Lei dos transplantes”
(lei de nº. 9.434, de 04 de Fevereiro de 1997),
cujo objetivo era dispor sobre a remoção
de órgãos, tecidos e partes do corpo
humano para fins de transplante, e o decreto nº.
2.268, de 30 de Junho de 1997 que regulamentou, na
tentativa de minimizar as distorções
e até mesmo injustiças na destinação
dos órgãos.
No dia 30 de Junho de 1997, através deste mesmo
decreto, foi criado no âmbito do Ministério
da Saúde o Sistema Nacional de Transplantes
– SNT, tendo como atribuição
desenvolver o processo de captação e
distribuição de tecidos, órgãos
e partes do corpo humano para finalidades terapêuticas
e realização de transplantes.
Lei Brasileira de Transplantes
Lei
que dispõe sobre a remoção de
órgãos, tecidos e partes do corpo humano
para fins de transplantes. É a lei de nº.
9.434, de 04 de fevereiro de 1997, posteriormente
alterada pela lei número 10.211 de 23 de março
de 2001, que substitui a “doação
presumida” pelo consentimento informado do desejo
de doar. Segundo a nova lei, as manifestações
de vontade a doação de órgãos,
após a morte, que constavam na Carteira de
Identidade Civil e Carteira Nacional de Habilitação,
perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro
de 2000. Isto significa que hoje, a retirada de órgãos/tecidos
de pessoas falecidas depende da autorização
da família. Sendo assim é muito importante
que a pessoa, que deseja após sua morte, ser
uma doadora, comunique a sua família sobre
o seu desejo, para que a mesma autorize a doação.
•
Perguntas e Respostas:
• O QUE É TRANSPLANTE?
Transplante é um procedimento cirúrgico
que consiste na troca de um órgão (coração,
rim, pulmão e outros) de um paciente doente
(Receptor) por outro órgão normal de
alguém que morreu (Doador). Os transplantes
intervivos são realizados com menos freqüência.
Os transplantes são realizados, somente quando
outras terapias já não dão mais
resultados. Para alguns, portanto, é o único
tratamento possível que possibilite continuar
vivendo.
• O QUE É DOAÇÃO
DE ORGÃOS E TECIDOS?
A doação de órgãos é
um ato pelo qual você manifesta a vontade de
que, a partir do momento de sua morte, uma ou mais
partes do seu corpo (órgãos ou tecidos),
em condições de serem aproveitadas para
transplante, possam ajudar outras pessoas.
• QUEM PODE SER DOADOR DE ÓRGÃOS
E TECIDOS?
Cerca de 1% de todas as pessoas que morrem são
doadores em potencial. Entretanto, a doação
pressupõe certas circunstâncias especiais
que permitam a preservação do corpo
para o adequado aproveitamento dos órgãos
para doação.
É possível também a doação
entre vivos no caso de órgãos duplos.
É possível a doação entre
parentes de órgãos como o Rim, por exemplo.
No caso do Fígado, também é possível
o transplante intervivos. Neste caso apenas uma parte
do Fígado do doador é transplantada
para o receptor. Este tipo de transplante é
possível por causa da particular qualidade
do Fígado de se regenerar, voltando ao tamanho
normal em dois ou três meses. No caso da doação
intervivos, é necessária uma autorização
especial e diferente do caso de doador cadáver.
Não existe limite de idade para a doação
de córneas. Para os demais órgãos,
a idade e história médica são
consideradas.
• QUEM NÃO PODE SER DOADOR DE
ÓRGÃOS E TECIDOS?
Não podem ser considerados doadores pessoas
portadoras de doenças infecciosas incuráveis,
câncer ou doenças que pela sua evolução
tenham comprometido o estado do órgão.
Os portadores de neoplasias primárias do sistema
nervoso central podem ser doadores de órgãos.
Também não podem ser doadores: pessoas
sem documentos de identidade e menores de 21 anos
sem a expressa autorização dos responsáveis.
• QUAIS ÓRGÃOS E TECIDOS
PODEM SER DOADOS?
Entre os órgãos que podem ser doados
estão: o coração, rins, pâncreas,
pulmões, fígado e intestinos. Os tecidos
que podem ser doados são: olhos, peles, ossos,
válvulas do coração e tendões.
• QUANDO PODEMOS DOAR?
A doação de órgãos como
Rim e parte do Fígado pode ser feita em vida.
Mas em geral nos tornamos doadores quando ocorre a
MORTE ENCEFÁLICA. Tipicamente são pessoas
que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça
(acidente com carro, moto, quedas, etc).
• COMO DEVO EXPRESSAR MEU DESEJO DE
SER UM DOADOR DE ÓRGÃOS?
É fundamental comunicar à família
esta decisão e deixar claro seu desejo em ser
doador. Isto porque a família é sempre
consultada no momento da doação.
• COMO SER DOADOR NO MOMENTO DE ÓBITO
DE UM FAMILIAR?
Um dos membros da família pode manifestar o
desejo de doar os órgãos ao médico
que atendeu o familiar, ou à administração
do hospital, ou ainda, entrar em contato com uma Central
de Transplantes que tomará as providências
necessárias. Se a sua família quer mesmo
adotar esta atitude de doação, aconselha-se
que insista com a equipe médica do hospital
para que as providências sejam tomadas. A família
não paga pelos procedimentos de manutenção
do potencial doador. Existem coberturas do SUS para
este procedimento.
• QUERO SER DOADOR (A), A MINHA RELIGIÃO
PERMITE?
Todas as religiões encorajam a doação
de órgãos e tecidos como uma atitude
de preservação da vida e um ato caridoso
de amor ao próximo. A maioria das religiões,
contudo, consideram este ato uma decisão individual
de seus seguidores. As Testemunhas de Jeová,
para quem a transfusão de sangue, por exemplo,
não é admissível, a doação
de órgãos e tecidos “limpos”
de sangue é permitida.
• QUEM PRECISA DE UM TRANSPLANTE?
Quase todas as doenças que levam a uma situação
de falência completa de um órgão
ou de um tecido e quando as terapias médicas
ou cirúrgicas convencionais já não
são mais eficazes, têm como última
alternativa de tratamento um transplante. Para muitos,
o transplante significa literalmente o renascimento.
Para outros, a possibilidade do retorno a uma vida
normal. Já é uma rotina na prática
de muitos hospitais em diversas partes do mundo, mas
guarda o aspecto de ser o único tratamento
médico que depende da população
em geral para ser operacionalizado.
Os transplantes são indicados para tratamentos
das doenças a seguir relacionadas, as quais
provocam mal funcionamento de algum órgão
ou tecido:
Coração:
Tipicamente quem precisa de um transplante de coração
são pessoas em geral entre 15 e 50 anos de
idade, com insuficiência cardíaca grave,
que não respondem ao tratamento médico-cirúrgico
convencional. Depois do câncer a causa de morte
mais comum, em muitos países, é a doença
coronariana, que é uma importante causa de
insuficiência cardíaca e, portanto, uma
indicação freqüente de transplante.
A miocardiopatia dilatada idiopática é
uma outra condição que resulta em insuficiência
cardíaca grave. No Brasil, uma causa importante
de miocardiopatia dilatada é a doença
de Chagas.
As pessoas com insuficiência cardíaca
grave apresentam-se cansadas, com falta de ar ao menor
esforço ou mesmo em repouso e, em geral, com
inchaço (edema) nas pernas e nos tornozelos.
Rim:
A insuficiência renal crônica, causada
por glomérulonefrite, pielonefrite, doença
cística, nefropatia diabética, doença
vascular renal ou hipertensão arterial, são
as causas básicas de indicação
de transplante renal. O transplante de rim é
indicado na insuficiência renal terminal, quando
a função dos rins é inferior
a 10% da sua capacidade de funcionamento.
O transplante de rim não é a única
maneira de se lidar com a insuficiência renal
crônica terminal. Existe a alternativa da diálise,
que substitui artificialmente a função
excretora dos rins. Na hemodiálise, o sistema
circulatório da pessoa é conectado a
uma máquina de diálise, onde o excesso
de uréia e outros resíduos passam do
sangue para um líquido apropriado. Em geral
esse processo leva de três a cinco horas e tem
que ser repetido três vezes por semana, geralmente
em um hospital ou clínica especializada.
Outra forma de diálise é a peritonial
ambulatorial contínua (DPAC ou CAPD), na qual
um cateter fica permanentemente fixo ao abdômen.
A própria pessoa introduz o líquido
da diálise para a cavidade abdominal e a difusão
de resíduos (uréia e outros) se desenvolve
no peritônio. A cada seis horas o líquido
é trocado por um novo, processo que dura de
30 a 40 minutos. Nos intervalos, a pessoa exerce as
suas atividades normais. A principal complicação
dessa modalidade de diálise é a infecção
peritonial, que pode ocorrer, em geral, como conseqüência
de contaminação durante o manuseio do
material utilizado.
Fígado:
Os transplantes hepáticos tornam-se necessários
quando a insuficiência do órgão
atinge um grau incompatível com a vida. Essa
situação pode ser resultado de diversas
condições, sendo a principal delas a
cirrose que é, por sua vez, causada, na maior
parte dos casos, por alguns tipos de hepatite ou uso
abusivo do álcool. O câncer hepático
primário é considerado uma indicação
para transplante de fígado, embora a malignidade
apresente tendência a produzir metástases.
Câncer hepático secundário, ou
seja, proveniente de outras partes do corpo, não
é indicação para transplante.
Pulmão:
As pessoas portadoras de quaisquer das seguintes doenças
são potenciais candidatas a um transplante
pulmonar: unilateral (Fibrose Pulmonar Idiopática
ou Secundária, Enfisema Pulmonar, Hipertensão
Pulmonar Primária ou Secundária) ou
bilateral (Bronquiectasias, Doença Bronco-Pulmonar
Obstrutiva Crônica – DBPOC – e Fibrose
Cística).
Pâncreas:
O transplante de pâncreas tem sido utilizado
em três situações (em pacientes
diabéticos do tipo 1):
• Pacientes diabéticos que já
receberam um transplante renal prévio. Neste
caso já estão utilizando a imunossupressão:
transplante de pâncreas após o transplante
de rim.
• Pacientes diabéticos com doença
renal grave, em diálise, necessitando de transplante
renal simultâneo de rim e pâncreas.
Pacientes diabéticos sem insuficiência
renal e com diabete de difícil controle: transplante
isolado de pâncreas.
Córneas:
A Ceratocone, uma deformidade da córnea que
forma um cone, é uma das principais causas
de indicação de transplante de córneas.
Em geral, não ocorre rejeição.
Medula Óssea:
O transplante de medula óssea (TMO) é
uma terapia de muita eficácia para muitas doenças,
não só para leucemia, como costumamos
imaginar. Outras doenças, como câncer
ósseo, anemias hereditárias (como a
falciforme) e a deficiência congênita
do sistema imunológico são algumas entre
várias outras tratadas com o TMO.
A indicação para um transplante é
feita com muito critério. Embora os portadores
das doenças acima mencionadas sejam potenciais
candidatos a um transplante, nem todos preenchem os
requisitos para serem incluídos em uma lista
de espera. Além de vários aspectos médicos,
são ainda levados em consideração
possíveis problemas que eventualmente possam
ter influência nos resultados em longo prazo,
dependentes das condições de vida. O
médico, o candidato e os seus familiares devem
levar em consideração pelo menos quatro
questões principais:
Todas as outras terapias foram tentadas ou descartadas?
A pessoa não sobreviverá sem o transplante?
Excluindo o órgão doente, é bom
seu estado geral de saúde?
A pessoa está psicologicamente preparada para,
após o transplante, uma mudança no estilo
de vida que inclui o uso regular de medicamentos com
efeitos drásticos e visitas freqüentes
a um hospital para exames de controle?
• TRANSPLANTE É CURA?
Não. É um tratamento que pode prolongar
a vida com melhor qualidade. Os transplantados exigem
cuidados médicos constantes e usa uma série
de medicamentos pelo resto da vida. É uma forma
de substituir um problema de saúde incontrolável
por outro sob o qual se tem controle.
• SOU DOADOR (A), MAS QUANDO CHEGUEI
AO HOSPITAL NÃO ENCONTRARAM MEUS DOCUMENTOS
NEM OS MEUS FAMILIARES. OS MEUS ÓRGÃOS
SERÃO RETIRADOS PARA TRANSPLANTES?
Não. Pessoas sem identidade, indigentes e menores
de 21 anos sem autorização dos responsáveis,
não são consideradas doadoras.
• O QUE É MORTE ENCEFÁLICA?
Morte encefálica significa a morte da pessoa.
É uma lesão irrecuperável do
cérebro após traumatismo craniano grave,
tumor intracraniano ou derrame cerebral. É
a interrupção definitiva e irreversível
de todas as atividades cerebrais. Como o cérebro
comanda todas as atividades do corpo, quando morre,
os demais órgãos e tecidos também
morrem. Alguns resistem mais tempo, como as córneas
e a pele. Outros, como o coração, pulmão,
rim e fígado sobrevivem por muito pouco tempo.
A morte encefálica pode ser claramente diagnosticada
e documentada através do exame da circulação
cerebral por técnicas extremamente seguras,
embora existam opiniões contrárias a
esta afirmativa.
Por algum tempo, as condições de circulação
sangüínea e de respiração
da pessoa acidentada poderão ser mantidas por
meios artificiais, ou seja, atendimento intensivo
(em UTI, com medicamentos que aumentam a pressão
arterial, respiradores artificiais, etc), até
que seja viabilizada a remoção dos órgãos
para transplante.
É importante que não se confunda MORTE
ENCEFÁLICA com COMA. O estado de coma é
um processo reversível, a morte encefálica
não. Do ponto de vista médico e legal,
o paciente em coma está vivo. Para que a morte
encefálica seja confirmada é necessário
o diagnóstico de, pelo menos, dois médicos,
sendo um deles neurologista. Estes médicos
não podem fazer parte da equipe que realizam
o transplante. Os exames complementares, ou seja,
além do exame clínico, para confirmar
a morte encefálica, que inclui eletro encefalograma
e arteriografia cerebral, são realizados, pelo
menos duas vezes, com intervalo de seis horas. Só
então a morte encefálica pode ser confirmada.
Ou seja, é um procedimento que dará
a família do indivíduo, a certeza de
que o estado dele é irreversível.
• A MORTE ENCEFÁLICA PODE SER
DIAGNOSTICADA EM QUALQUER HOSPITAL?
Em princípio sim, desde que o hospital conte
em seu quadro de profissionais com um neurologista
e os equipamentos necessários para a realização
dos exames. Contudo, no Brasil as coisas ainda não
são assim. Mas, excepcionalmente, ao suspeitar-se
de ocorrência de morte encefálica, uma
equipe e equipamentos podem ser deslocados de um hospital
para outro.
• HÁ CHANCE DE OS MÉDICOS
ERRAREM NO DIAGNÓSTICO DE MORTE ENCEFÁLICA?
Não. Se for seguido o protocolo, que está
muito bem documentado, a chance de erro não
existe. O diagnóstico passa por algumas etapas.
O primeiro passo é o diagnóstico clínico,
seguido de confirmação por métodos
como arteriografia, entre outros.
• É POSSÍVEL O DIAGNÓSTICO
DE MORTE ENCEFÁLICA APENAS COM UM EXAME CLÍNICO?
Sim, mas pela legislação este diagnóstico
deve ser confirmado com um método de análise
mais sofisticado: eletro encefalograma, angiografia
cerebral, entre outros.
• QUANTO TEMPO APÓS A MORTE ENCEFÁLICA
PODE-SE ESPERAR PARA O TRANSPLANTE?
O Coração e Pulmão são
os órgãos que menos tempo podem esperar.
O intervalo máximo entre a retirada e a doação
não deve exceder quatro horas. O ideal é
que as duas cirurgias ocorram simultaneamente. O Fígado
resiste até 24 horas fora do organismo. O Rim
é bastante resistente, se comparado a outros.
A espera pode ser de 24 a 48 horas. O Pâncreas
(como no caso do Coração e do Pulmão)
as cirurgias de retirada e doação, devem
ser feitas quase que simultaneamente. A Córnea
pode permanecer até sete dias fora do organismo,
desde que mantida em condições apropriadas
de conservação.
• QUEM RETIRA OS ÓRGÃOS
DE UM DOADOR?
Desde que haja um receptor compatível, a retirada
dos órgãos para transplante é
realizada em um centro cirúrgico, por uma equipe
de cirurgiões com treinamento específico
para este tipo de ocorrência. Após o
procedimento o corpo é devidamente recomposto
(não ficará deformado) e liberado para
os familiares.
• COMO FUNCIONA O SISTEMA DE CAPTAÇÃO
DE ÓRGÃOS?
Se existe um doador em potencial (vítima de
acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral,
etc.) a função vital dos órgãos
deve ser mantida pelo hospital. É realizado
o diagnóstico de morte encefálica e
a Central de Transplantes é notificada. A Central
localiza e entra em entendimento com a família
do doador e pede o seu consentimento mesmo que a pessoa
tenha manifestado em vida o desejo de doar. Após
isso, o doador é submetido a uma bateria de
exames para verificar se não possui doenças
que possam comprometer o transplante (hepatite, AIDS,
etc). Com tudo OK, a Central de Transplantes faz um
cruzamento de compatibilidade com os pacientes em
lista de espera, identifica um receptor e aciona as
equipes de captação e de transplante.
• QUEM SÃO AS PESSOAS BENEFICIADAS
COM OS TRANSPLANTES?
Atualmente milhares de pessoas, inclusive crianças,
contraem doenças cujo único tratamento
é a implantação de um órgão
novo. A espera por um doador, que às vezes
não aparece, é angustiante. A lista
de candidatos a um transplante de Pulmão, por
exemplo, é renovada a cada ano porque, simplesmente,
a maioria dos candidatos morre sem conseguir um doador.
•
QUEM RECEBERÁ OS ÓRGÃOS DOADOS?
Os receptores são escolhidos com base em testes
laboratoriais que confirmam a compatibilidade entre
o doador e o receptor. Quando existe mais de um receptor
compatível, a decisão de quem receberá,
passa por critérios tais como tempo de espera
e urgência do procedimento. Em princípio,
a família do doador não escolhe o receptor.
Na escolha do receptor, os médicos, o candidato
a transplante e sua família levam em conta
fundamentalmente os seguintes aspectos para considerar
o transplante: Todas as terapias foram consideradas
ou excluídas? O paciente não sobreviverá
sem o transplante? O candidato a receptor não
tem outros problemas de saúde que inviabilizem
o transplante? O candidato tem condições
para assumir um estilo de vida que inclui o uso contínuo
de medicamentos e freqüentes exames laboratorial-hospitalares
após o transplante?
• TENHO UM FAMILIAR EM LISTA DE ESPERA
PARA UM TRANSPLANTE DE CORAÇÃO. SOU
TOTALMENTE COMPATÍVEL COM ELE. SE EU MORRER
O MEU CORAÇÃO PODE SER DOADO PARA ELE?
Em princípio não. Nem o doador, nem
seus familiares, podem escolher o receptor. A não
ser no caso de órgãos duplos e doação
em vida. Caso contrário, o receptor será
sempre indicado pela Central de Transplantes com base
em uma série de critérios que incluem:
1) compatibilidade sangüínea; 2)histocompatibilidade
(compatibilidade de tecidos); 3) peso e tamanho do
órgão. Encontrado(s) o(s) paciente(s)
que apresentam o perfil adequado para receber o órgão,
será escolhido aquele em estado mais grave.
Este poderá ser (ou não) o seu familiar.
Em resumo: nós não podemos escolher
quem receberá os órgãos de um
familiar com morte encefálica. Isso evita a
comercialização de órgãos.
• TENHO UM FAMILIAR ESPERANDO UM TRANSPLANTE.
MATEMATICAMENTE FALANDO, QUAL A CHANCE DELE ENCONTRAR
UM DOADOR?
É muito difícil responder a esta questão
do ponto de vista de probabilidade. Mas considere
inicialmente que ele seja do grupo sangüíneo
A+. Na população brasileira, a chance
de encontrar outro indivíduo A+ é algo
em torno de 35%, ou seja, 35 em 100 ou 0,35. Mas o
doador e o receptor devem ser também compatíveis
em termos de tecido. Para a histocompatibilidade a
chance de encontrar indivíduos semelhantes
é menor. A probabilidade de que você
tenha um irmão histocompatível é
de 25% (0,25), mas entre não parentes esta
chance diminui para um valor entre 1 em 10.000 e 1
em 100.000 (ou entre 0,0001 e 0,00001). Para os matemáticos,
neste caso, a probabilidade de se encontrar um indivíduo
compatível (considerando a maior chance) para
o grupo sangüíneo e para tecidos é
o produto,
0,25 x 0,0001 x? x? = 0,00035
Ou de 3 a 4 em 100.000. Mas não é só
isso. Considere, ainda, que o doador dever ser uma
pessoa cujo órgão a ser doado tenha
peso e tamanho semelhante ao do receptor, tenha sofrido
um acidente cerebral, boas condições
de saúde e tenha chegado vivo a um hospital
cuja equipe médica tenha tido a boa vontade
de entrar em contato com uma Central de Transplante.
Estas variáveis são de difícil
mensuração. Elas são representadas
pelas interrogações acima e são
números menores do que um. Logo, matematicamente
falando, a chance de alguém encontrar um doador
plenamente compatível é pequena. Contudo,
existem muitas pessoas que recebem um órgão
por transplante e vivem muito tempo com uma excelente
qualidade de vida. Agora pense no seguinte: se você
opta em ser não doador de órgãos
e tecidos, você realmente está contribuindo
para diminuir a chance de sobrevivência de outra
pessoa e a felicidade de muitos.
• AS PESSOAS TÊM VIDA NORMAL APÓS
UM TRANSPLANTE?
Após o transplante, os receptores devem tomar
diversos medicamentos. Os mais importantes são
para evitar a rejeição. Estes medicamentos,
que devem ser usados pelo resto da vida, podem causar
uma série de efeitos não desejáveis.
Para combater estes efeitos, outras drogas devem ser
administradas. As estatísticas mundiais mostram
que a maioria (mais de 80%) das pessoas que receberam
um coração por transplante, por exemplo,
retomam as suas atividades anteriores. Alguns praticam
esportes, existindo até federações
de transplantados.
• QUAL O RISCO DOS TRANSPLANTES?
Existem os riscos inerentes a uma cirurgia de grande
porte em si. Superada esta fase, os principais problemas
após o transplante de órgão são:
infecção e rejeição. Para
prevenir estes efeitos a pessoa usa medicamentos que
debilitam o sistema imunológico. Por esta razão,
estão mais sujeitos a infecções
e a outras doenças "oportunistas".
• O QUE SIGNIFICA REJEIÇÃO?
O nosso sistema imunológico nos protege de
infecções em geral. As células
deste sistema percorrem cada parte de nosso corpo
procurando e conferindo se algo difere do que elas
estão acostumadas a encontrar. Estas células
identificam um órgão transplantado como
sendo algo diferente do resto do corpo e ameaçam
destruí-lo. Numa linguagem figurada, isto é
a rejeição. E é, ao lado da questão
da disponibilidade de doadores, uma das grandes barreiras
ao sucesso dos programas de transplantes. Em 1983,
a barreira da REJEIÇÃO foi parcialmente
superada com o advento de uma poderosa droga - a Ciclosporina
- que, combinada com outras, inibe as células
do sistema imunológico na sua tentativa de
destruir o órgão transplantado. Como
a rejeição pode ocorrer em qualquer
tempo após o transplante, a maioria dos transplantados
usa medicamentos imunossupressores pelo o resto de
suas vidas. Os principais medicamentos utilizados
são aqueles do grupo da Ciclosporina, Azatioprina
e da Prednisona e são administrados de forma
balanceada pelos médicos para cada caso. A
rejeição ocorre na maioria dos casos
de transplantes e pode ser mais facilmente controlada
quanto maior for a compatibilidade entre o doador
e o receptor. Em primeiro lugar, eles devem ter o
mesmo tipo sangüíneo, ou seja, os mesmos
fatores do sistema ABO e Rh. Em segundo, devem ter
ainda, a maior semelhança possível em
relação ao sistema genético HLA.
No momento do transplante, o objetivo da Central de
Transplante é compatibilizar os doadores e
receptores para o HLA, procurando os idênticos
ou os mais próximos possíveis, em especial
quando estes não têm qualquer grau de
parentesco. É uma questão de sorte:
a chance de se encontrar um doador compatível
varia entre um para 10 mil e um para 100 mil entre
pessoas que não apresentam nenhum grau de parentesco.
• QUEM FAZ TRANSPLANTE NO BRASIL?
Segundo o Ministério da Saúde, existem
no Brasil cerca de mais de 100 instituições
cadastradas para realizar transplante de órgãos:
Rim (111), Medula óssea (13), Fígado
(6), Coração (9) e Pulmão (3).
Deste total, 40 estão localizados na Região
Sul (PR, SC, RS) dos quais, 20 são Hospitais
do Rio Grande do Sul.
• QUEM PAGA A CONTA DOS TRANSPLANTES?
Em geral, os transplantes são pagos pelo Serviço
Único de Saúde (SUS). A maioria dos
planos privados de saúde não cobre este
tipo de atendimento. A propósito, a grande
maioria destes planos somente funciona adequadamente
enquanto você não precisa deles. No ano
de 1996, foram realizados pelo SUS, segundo o Ministério
da Saúde, 1954 transplantes de órgãos:
Rim (1501), Coração (65), Fígado
(115), Pulmão (6), Medula óssea (267),
além de 1551 de Córnea. No primeiro
quadrimestre de 1997 foram realizados 569 transplantes
de órgãos no Brasil, sendo 420 de Rim,
15 de Coração, 40 de Fígado,
01 de Pulmão e 93 de Medula Óssea.
• TENHO RECEIO DE QUE MEUS ÓRGÃOS
SEJAM COMERCIALIZADOS. É POSSÍVEL?
Isso é um rumor. Tem tantas variáveis
envolvidas, que as chances de comercialização
são desprezíveis. O fato trágico
e triste é que muitas pessoas acreditam em
rumores deste tipo o que contribui para a diminuição
do número de doações. Uma coisa
é certa: até hoje, em nenhum lugar do
mundo foi comprovado o rumor de que existe um "mercado
negro" de órgãos para transplante.
O fato trágico e triste é que muitas
pessoas acreditam em rumores deste tipo e isso pode
contribuir para a diminuição do número
de doações. Em países como a
Índia são vendidos órgãos
como rins. Mas lá, essa é uma operação
legal. Não é um mercado negro. São
pessoas pobres que voluntariamente "doam"
rins em troca de alguma compensação.
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o assunto.
As
informações sobre saúde contidas neste site são fornecidas
somente para fins educativos e não pretendem substituir,
de forma alguma, as discussões estabelecidas entre
médicos e pacientes. Todas as decisões relacionadas
a tratamento de pacientes devem ser tomadas por profissionais
autorizados que levarão em consideração as características
exclusivas de cada paciente. As informações aqui contidas
destinam-se ao público brasileiro.
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