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>> TRANSPLANTES E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

:: DOAÇÃO ::
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Breve Histórico:

O Primeiro Transplante realizado no Brasil
A atividade de transplantes de órgãos e tecidos no Brasil iniciou-se no ano de 1964 na cidade do Rio de Janeiro, e no ano de 1965, na cidade de São Paulo, com a realização dos dois primeiros transplantes renais do país. O primeiro transplante cardíaco ocorreu também na cidade de São Paulo, no ano de 1968 realizado pela equipe do Dr. Euclides de Jesus Zerbini. Este fato ocorreu pouco menos de um ano após a realização do transplante pioneiro efetuado pelo Dr. Christian Barnard, na África do Sul.
Desde o período inicial até os dias atuais, esta atividade obteve uma evolução considerável em termos de técnicas, resultados, variedades de órgãos transplantados e número de procedimentos realizados. Mesmo com a existência da lei nº. 5.479, de 10 de Agosto de 1968, posteriormente revogada pela lei nº. 8.489, de 18 de Novembro de 1992, a qual dispunha sobre a retirada e transplante de tecidos, órgãos e parte de cadáver para finalidade terapêutica e científica, não havia neste período, uma legislação apropriada que regulamentasse a realização de transplantes. O que havia eram regulamentações regionais, desenvolvidas informalmente quanto à inscrição de receptores, ordem de transplantes, retirada de órgãos e critérios de destinação e distribuição de órgãos captados.
Na medida em que grande parte dos procedimentos realizados era financiada por recursos públicos e que se subentendia que os órgãos captados eram “bens públicos”, cresceu, na sociedade brasileira, entre os gestores do SUS e na própria comunidade transplantadora, o desejo de regulamentar a atividade, criar uma coordenação nacional para um sistema de transplantes e definir critérios claros, tecnicamente corretos e socialmente aceitáveis e justos, de destinação dos órgãos.
Em 1997, foi criada a chamada “Lei dos transplantes” (lei de nº. 9.434, de 04 de Fevereiro de 1997), cujo objetivo era dispor sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante, e o decreto nº. 2.268, de 30 de Junho de 1997 que regulamentou, na tentativa de minimizar as distorções e até mesmo injustiças na destinação dos órgãos.
No dia 30 de Junho de 1997, através deste mesmo decreto, foi criado no âmbito do Ministério da Saúde o Sistema Nacional de Transplantes – SNT, tendo como atribuição desenvolver o processo de captação e distribuição de tecidos, órgãos e partes do corpo humano para finalidades terapêuticas e realização de transplantes.


Lei Brasileira de Transplantes

Lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplantes. É a lei de nº. 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, posteriormente alterada pela lei número 10.211 de 23 de março de 2001, que substitui a “doação presumida” pelo consentimento informado do desejo de doar. Segundo a nova lei, as manifestações de vontade a doação de órgãos, após a morte, que constavam na Carteira de Identidade Civil e Carteira Nacional de Habilitação, perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Isto significa que hoje, a retirada de órgãos/tecidos de pessoas falecidas depende da autorização da família. Sendo assim é muito importante que a pessoa, que deseja após sua morte, ser uma doadora, comunique a sua família sobre o seu desejo, para que a mesma autorize a doação.

• Perguntas e Respostas:


• O QUE É TRANSPLANTE?
Transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na troca de um órgão (coração, rim, pulmão e outros) de um paciente doente (Receptor) por outro órgão normal de alguém que morreu (Doador). Os transplantes intervivos são realizados com menos freqüência.
Os transplantes são realizados, somente quando outras terapias já não dão mais resultados. Para alguns, portanto, é o único tratamento possível que possibilite continuar vivendo.

• O QUE É DOAÇÃO DE ORGÃOS E TECIDOS?
A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento de sua morte, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

• QUEM PODE SER DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS?
Cerca de 1% de todas as pessoas que morrem são doadores em potencial. Entretanto, a doação pressupõe certas circunstâncias especiais que permitam a preservação do corpo para o adequado aproveitamento dos órgãos para doação.
É possível também a doação entre vivos no caso de órgãos duplos. É possível a doação entre parentes de órgãos como o Rim, por exemplo. No caso do Fígado, também é possível o transplante intervivos. Neste caso apenas uma parte do Fígado do doador é transplantada para o receptor. Este tipo de transplante é possível por causa da particular qualidade do Fígado de se regenerar, voltando ao tamanho normal em dois ou três meses. No caso da doação intervivos, é necessária uma autorização especial e diferente do caso de doador cadáver.
Não existe limite de idade para a doação de córneas. Para os demais órgãos, a idade e história médica são consideradas.

• QUEM NÃO PODE SER DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS?
Não podem ser considerados doadores pessoas portadoras de doenças infecciosas incuráveis, câncer ou doenças que pela sua evolução tenham comprometido o estado do órgão. Os portadores de neoplasias primárias do sistema nervoso central podem ser doadores de órgãos. Também não podem ser doadores: pessoas sem documentos de identidade e menores de 21 anos sem a expressa autorização dos responsáveis.

• QUAIS ÓRGÃOS E TECIDOS PODEM SER DOADOS?
Entre os órgãos que podem ser doados estão: o coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos. Os tecidos que podem ser doados são: olhos, peles, ossos, válvulas do coração e tendões.

• QUANDO PODEMOS DOAR?
A doação de órgãos como Rim e parte do Fígado pode ser feita em vida. Mas em geral nos tornamos doadores quando ocorre a MORTE ENCEFÁLICA. Tipicamente são pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça (acidente com carro, moto, quedas, etc).

• COMO DEVO EXPRESSAR MEU DESEJO DE SER UM DOADOR DE ÓRGÃOS?
É fundamental comunicar à família esta decisão e deixar claro seu desejo em ser doador. Isto porque a família é sempre consultada no momento da doação.

• COMO SER DOADOR NO MOMENTO DE ÓBITO DE UM FAMILIAR?
Um dos membros da família pode manifestar o desejo de doar os órgãos ao médico que atendeu o familiar, ou à administração do hospital, ou ainda, entrar em contato com uma Central de Transplantes que tomará as providências necessárias. Se a sua família quer mesmo adotar esta atitude de doação, aconselha-se que insista com a equipe médica do hospital para que as providências sejam tomadas. A família não paga pelos procedimentos de manutenção do potencial doador. Existem coberturas do SUS para este procedimento.

• QUERO SER DOADOR (A), A MINHA RELIGIÃO PERMITE?
Todas as religiões encorajam a doação de órgãos e tecidos como uma atitude de preservação da vida e um ato caridoso de amor ao próximo. A maioria das religiões, contudo, consideram este ato uma decisão individual de seus seguidores. As Testemunhas de Jeová, para quem a transfusão de sangue, por exemplo, não é admissível, a doação de órgãos e tecidos “limpos” de sangue é permitida.

• QUEM PRECISA DE UM TRANSPLANTE?
Quase todas as doenças que levam a uma situação de falência completa de um órgão ou de um tecido e quando as terapias médicas ou cirúrgicas convencionais já não são mais eficazes, têm como última alternativa de tratamento um transplante. Para muitos, o transplante significa literalmente o renascimento. Para outros, a possibilidade do retorno a uma vida normal. Já é uma rotina na prática de muitos hospitais em diversas partes do mundo, mas guarda o aspecto de ser o único tratamento médico que depende da população em geral para ser operacionalizado.

Os transplantes são indicados para tratamentos das doenças a seguir relacionadas, as quais provocam mal funcionamento de algum órgão ou tecido:

Coração:
Tipicamente quem precisa de um transplante de coração são pessoas em geral entre 15 e 50 anos de idade, com insuficiência cardíaca grave, que não respondem ao tratamento médico-cirúrgico convencional. Depois do câncer a causa de morte mais comum, em muitos países, é a doença coronariana, que é uma importante causa de insuficiência cardíaca e, portanto, uma indicação freqüente de transplante.
A miocardiopatia dilatada idiopática é uma outra condição que resulta em insuficiência cardíaca grave. No Brasil, uma causa importante de miocardiopatia dilatada é a doença de Chagas.
As pessoas com insuficiência cardíaca grave apresentam-se cansadas, com falta de ar ao menor esforço ou mesmo em repouso e, em geral, com inchaço (edema) nas pernas e nos tornozelos.

Rim:
A insuficiência renal crônica, causada por glomérulonefrite, pielonefrite, doença cística, nefropatia diabética, doença vascular renal ou hipertensão arterial, são as causas básicas de indicação de transplante renal. O transplante de rim é indicado na insuficiência renal terminal, quando a função dos rins é inferior a 10% da sua capacidade de funcionamento.
O transplante de rim não é a única maneira de se lidar com a insuficiência renal crônica terminal. Existe a alternativa da diálise, que substitui artificialmente a função excretora dos rins. Na hemodiálise, o sistema circulatório da pessoa é conectado a uma máquina de diálise, onde o excesso de uréia e outros resíduos passam do sangue para um líquido apropriado. Em geral esse processo leva de três a cinco horas e tem que ser repetido três vezes por semana, geralmente em um hospital ou clínica especializada.
Outra forma de diálise é a peritonial ambulatorial contínua (DPAC ou CAPD), na qual um cateter fica permanentemente fixo ao abdômen. A própria pessoa introduz o líquido da diálise para a cavidade abdominal e a difusão de resíduos (uréia e outros) se desenvolve no peritônio. A cada seis horas o líquido é trocado por um novo, processo que dura de 30 a 40 minutos. Nos intervalos, a pessoa exerce as suas atividades normais. A principal complicação dessa modalidade de diálise é a infecção peritonial, que pode ocorrer, em geral, como conseqüência de contaminação durante o manuseio do material utilizado.

Fígado:
Os transplantes hepáticos tornam-se necessários quando a insuficiência do órgão atinge um grau incompatível com a vida. Essa situação pode ser resultado de diversas condições, sendo a principal delas a cirrose que é, por sua vez, causada, na maior parte dos casos, por alguns tipos de hepatite ou uso abusivo do álcool. O câncer hepático primário é considerado uma indicação para transplante de fígado, embora a malignidade apresente tendência a produzir metástases. Câncer hepático secundário, ou seja, proveniente de outras partes do corpo, não é indicação para transplante.

Pulmão:
As pessoas portadoras de quaisquer das seguintes doenças são potenciais candidatas a um transplante pulmonar: unilateral (Fibrose Pulmonar Idiopática ou Secundária, Enfisema Pulmonar, Hipertensão Pulmonar Primária ou Secundária) ou bilateral (Bronquiectasias, Doença Bronco-Pulmonar Obstrutiva Crônica – DBPOC – e Fibrose Cística).

Pâncreas:
O transplante de pâncreas tem sido utilizado em três situações (em pacientes diabéticos do tipo 1):
• Pacientes diabéticos que já receberam um transplante renal prévio. Neste caso já estão utilizando a imunossupressão: transplante de pâncreas após o transplante de rim.
• Pacientes diabéticos com doença renal grave, em diálise, necessitando de transplante renal simultâneo de rim e pâncreas.
Pacientes diabéticos sem insuficiência renal e com diabete de difícil controle: transplante isolado de pâncreas.

Córneas:
A Ceratocone, uma deformidade da córnea que forma um cone, é uma das principais causas de indicação de transplante de córneas. Em geral, não ocorre rejeição.

Medula Óssea:
O transplante de medula óssea (TMO) é uma terapia de muita eficácia para muitas doenças, não só para leucemia, como costumamos imaginar. Outras doenças, como câncer ósseo, anemias hereditárias (como a falciforme) e a deficiência congênita do sistema imunológico são algumas entre várias outras tratadas com o TMO.
A indicação para um transplante é feita com muito critério. Embora os portadores das doenças acima mencionadas sejam potenciais candidatos a um transplante, nem todos preenchem os requisitos para serem incluídos em uma lista de espera. Além de vários aspectos médicos, são ainda levados em consideração possíveis problemas que eventualmente possam ter influência nos resultados em longo prazo, dependentes das condições de vida. O médico, o candidato e os seus familiares devem levar em consideração pelo menos quatro questões principais:
Todas as outras terapias foram tentadas ou descartadas?
A pessoa não sobreviverá sem o transplante?
Excluindo o órgão doente, é bom seu estado geral de saúde?
A pessoa está psicologicamente preparada para, após o transplante, uma mudança no estilo de vida que inclui o uso regular de medicamentos com efeitos drásticos e visitas freqüentes a um hospital para exames de controle?

• TRANSPLANTE É CURA?
Não. É um tratamento que pode prolongar a vida com melhor qualidade. Os transplantados exigem cuidados médicos constantes e usa uma série de medicamentos pelo resto da vida. É uma forma de substituir um problema de saúde incontrolável por outro sob o qual se tem controle.

• SOU DOADOR (A), MAS QUANDO CHEGUEI AO HOSPITAL NÃO ENCONTRARAM MEUS DOCUMENTOS NEM OS MEUS FAMILIARES. OS MEUS ÓRGÃOS SERÃO RETIRADOS PARA TRANSPLANTES?
Não. Pessoas sem identidade, indigentes e menores de 21 anos sem autorização dos responsáveis, não são consideradas doadoras.

• O QUE É MORTE ENCEFÁLICA?
Morte encefálica significa a morte da pessoa. É uma lesão irrecuperável do cérebro após traumatismo craniano grave, tumor intracraniano ou derrame cerebral. É a interrupção definitiva e irreversível de todas as atividades cerebrais. Como o cérebro comanda todas as atividades do corpo, quando morre, os demais órgãos e tecidos também morrem. Alguns resistem mais tempo, como as córneas e a pele. Outros, como o coração, pulmão, rim e fígado sobrevivem por muito pouco tempo.
A morte encefálica pode ser claramente diagnosticada e documentada através do exame da circulação cerebral por técnicas extremamente seguras, embora existam opiniões contrárias a esta afirmativa.
Por algum tempo, as condições de circulação sangüínea e de respiração da pessoa acidentada poderão ser mantidas por meios artificiais, ou seja, atendimento intensivo (em UTI, com medicamentos que aumentam a pressão arterial, respiradores artificiais, etc), até que seja viabilizada a remoção dos órgãos para transplante.
É importante que não se confunda MORTE ENCEFÁLICA com COMA. O estado de coma é um processo reversível, a morte encefálica não. Do ponto de vista médico e legal, o paciente em coma está vivo. Para que a morte encefálica seja confirmada é necessário o diagnóstico de, pelo menos, dois médicos, sendo um deles neurologista. Estes médicos não podem fazer parte da equipe que realizam o transplante. Os exames complementares, ou seja, além do exame clínico, para confirmar a morte encefálica, que inclui eletro encefalograma e arteriografia cerebral, são realizados, pelo menos duas vezes, com intervalo de seis horas. Só então a morte encefálica pode ser confirmada. Ou seja, é um procedimento que dará a família do indivíduo, a certeza de que o estado dele é irreversível.

• A MORTE ENCEFÁLICA PODE SER DIAGNOSTICADA EM QUALQUER HOSPITAL?
Em princípio sim, desde que o hospital conte em seu quadro de profissionais com um neurologista e os equipamentos necessários para a realização dos exames. Contudo, no Brasil as coisas ainda não são assim. Mas, excepcionalmente, ao suspeitar-se de ocorrência de morte encefálica, uma equipe e equipamentos podem ser deslocados de um hospital para outro.

• HÁ CHANCE DE OS MÉDICOS ERRAREM NO DIAGNÓSTICO DE MORTE ENCEFÁLICA?
Não. Se for seguido o protocolo, que está muito bem documentado, a chance de erro não existe. O diagnóstico passa por algumas etapas. O primeiro passo é o diagnóstico clínico, seguido de confirmação por métodos como arteriografia, entre outros.

• É POSSÍVEL O DIAGNÓSTICO DE MORTE ENCEFÁLICA APENAS COM UM EXAME CLÍNICO?
Sim, mas pela legislação este diagnóstico deve ser confirmado com um método de análise mais sofisticado: eletro encefalograma, angiografia cerebral, entre outros.

• QUANTO TEMPO APÓS A MORTE ENCEFÁLICA PODE-SE ESPERAR PARA O TRANSPLANTE?
O Coração e Pulmão são os órgãos que menos tempo podem esperar. O intervalo máximo entre a retirada e a doação não deve exceder quatro horas. O ideal é que as duas cirurgias ocorram simultaneamente. O Fígado resiste até 24 horas fora do organismo. O Rim é bastante resistente, se comparado a outros. A espera pode ser de 24 a 48 horas. O Pâncreas (como no caso do Coração e do Pulmão) as cirurgias de retirada e doação, devem ser feitas quase que simultaneamente. A Córnea pode permanecer até sete dias fora do organismo, desde que mantida em condições apropriadas de conservação.

• QUEM RETIRA OS ÓRGÃOS DE UM DOADOR?
Desde que haja um receptor compatível, a retirada dos órgãos para transplante é realizada em um centro cirúrgico, por uma equipe de cirurgiões com treinamento específico para este tipo de ocorrência. Após o procedimento o corpo é devidamente recomposto (não ficará deformado) e liberado para os familiares.

• COMO FUNCIONA O SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÓRGÃOS?
Se existe um doador em potencial (vítima de acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral, etc.) a função vital dos órgãos deve ser mantida pelo hospital. É realizado o diagnóstico de morte encefálica e a Central de Transplantes é notificada. A Central localiza e entra em entendimento com a família do doador e pede o seu consentimento mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de doar. Após isso, o doador é submetido a uma bateria de exames para verificar se não possui doenças que possam comprometer o transplante (hepatite, AIDS, etc). Com tudo OK, a Central de Transplantes faz um cruzamento de compatibilidade com os pacientes em lista de espera, identifica um receptor e aciona as equipes de captação e de transplante.

• QUEM SÃO AS PESSOAS BENEFICIADAS COM OS TRANSPLANTES?
Atualmente milhares de pessoas, inclusive crianças, contraem doenças cujo único tratamento é a implantação de um órgão novo. A espera por um doador, que às vezes não aparece, é angustiante. A lista de candidatos a um transplante de Pulmão, por exemplo, é renovada a cada ano porque, simplesmente, a maioria dos candidatos morre sem conseguir um doador.

• QUEM RECEBERÁ OS ÓRGÃOS DOADOS?
Os receptores são escolhidos com base em testes laboratoriais que confirmam a compatibilidade entre o doador e o receptor. Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão de quem receberá, passa por critérios tais como tempo de espera e urgência do procedimento. Em princípio, a família do doador não escolhe o receptor. Na escolha do receptor, os médicos, o candidato a transplante e sua família levam em conta fundamentalmente os seguintes aspectos para considerar o transplante: Todas as terapias foram consideradas ou excluídas? O paciente não sobreviverá sem o transplante? O candidato a receptor não tem outros problemas de saúde que inviabilizem o transplante? O candidato tem condições para assumir um estilo de vida que inclui o uso contínuo de medicamentos e freqüentes exames laboratorial-hospitalares após o transplante?

• TENHO UM FAMILIAR EM LISTA DE ESPERA PARA UM TRANSPLANTE DE CORAÇÃO. SOU TOTALMENTE COMPATÍVEL COM ELE. SE EU MORRER O MEU CORAÇÃO PODE SER DOADO PARA ELE?
Em princípio não. Nem o doador, nem seus familiares, podem escolher o receptor. A não ser no caso de órgãos duplos e doação em vida. Caso contrário, o receptor será sempre indicado pela Central de Transplantes com base em uma série de critérios que incluem: 1) compatibilidade sangüínea; 2)histocompatibilidade (compatibilidade de tecidos); 3) peso e tamanho do órgão. Encontrado(s) o(s) paciente(s) que apresentam o perfil adequado para receber o órgão, será escolhido aquele em estado mais grave. Este poderá ser (ou não) o seu familiar. Em resumo: nós não podemos escolher quem receberá os órgãos de um familiar com morte encefálica. Isso evita a comercialização de órgãos.

• TENHO UM FAMILIAR ESPERANDO UM TRANSPLANTE. MATEMATICAMENTE FALANDO, QUAL A CHANCE DELE ENCONTRAR UM DOADOR?
É muito difícil responder a esta questão do ponto de vista de probabilidade. Mas considere inicialmente que ele seja do grupo sangüíneo A+. Na população brasileira, a chance de encontrar outro indivíduo A+ é algo em torno de 35%, ou seja, 35 em 100 ou 0,35. Mas o doador e o receptor devem ser também compatíveis em termos de tecido. Para a histocompatibilidade a chance de encontrar indivíduos semelhantes é menor. A probabilidade de que você tenha um irmão histocompatível é de 25% (0,25), mas entre não parentes esta chance diminui para um valor entre 1 em 10.000 e 1 em 100.000 (ou entre 0,0001 e 0,00001). Para os matemáticos, neste caso, a probabilidade de se encontrar um indivíduo compatível (considerando a maior chance) para o grupo sangüíneo e para tecidos é o produto,
0,25 x 0,0001 x? x? = 0,00035
Ou de 3 a 4 em 100.000. Mas não é só isso. Considere, ainda, que o doador dever ser uma pessoa cujo órgão a ser doado tenha peso e tamanho semelhante ao do receptor, tenha sofrido um acidente cerebral, boas condições de saúde e tenha chegado vivo a um hospital cuja equipe médica tenha tido a boa vontade de entrar em contato com uma Central de Transplante. Estas variáveis são de difícil mensuração. Elas são representadas pelas interrogações acima e são números menores do que um. Logo, matematicamente falando, a chance de alguém encontrar um doador plenamente compatível é pequena. Contudo, existem muitas pessoas que recebem um órgão por transplante e vivem muito tempo com uma excelente qualidade de vida. Agora pense no seguinte: se você opta em ser não doador de órgãos e tecidos, você realmente está contribuindo para diminuir a chance de sobrevivência de outra pessoa e a felicidade de muitos.

• AS PESSOAS TÊM VIDA NORMAL APÓS UM TRANSPLANTE?
Após o transplante, os receptores devem tomar diversos medicamentos. Os mais importantes são para evitar a rejeição. Estes medicamentos, que devem ser usados pelo resto da vida, podem causar uma série de efeitos não desejáveis. Para combater estes efeitos, outras drogas devem ser administradas. As estatísticas mundiais mostram que a maioria (mais de 80%) das pessoas que receberam um coração por transplante, por exemplo, retomam as suas atividades anteriores. Alguns praticam esportes, existindo até federações de transplantados.

• QUAL O RISCO DOS TRANSPLANTES?
Existem os riscos inerentes a uma cirurgia de grande porte em si. Superada esta fase, os principais problemas após o transplante de órgão são: infecção e rejeição. Para prevenir estes efeitos a pessoa usa medicamentos que debilitam o sistema imunológico. Por esta razão, estão mais sujeitos a infecções e a outras doenças "oportunistas".

• O QUE SIGNIFICA REJEIÇÃO?
O nosso sistema imunológico nos protege de infecções em geral. As células deste sistema percorrem cada parte de nosso corpo procurando e conferindo se algo difere do que elas estão acostumadas a encontrar. Estas células identificam um órgão transplantado como sendo algo diferente do resto do corpo e ameaçam destruí-lo. Numa linguagem figurada, isto é a rejeição. E é, ao lado da questão da disponibilidade de doadores, uma das grandes barreiras ao sucesso dos programas de transplantes. Em 1983, a barreira da REJEIÇÃO foi parcialmente superada com o advento de uma poderosa droga - a Ciclosporina - que, combinada com outras, inibe as células do sistema imunológico na sua tentativa de destruir o órgão transplantado. Como a rejeição pode ocorrer em qualquer tempo após o transplante, a maioria dos transplantados usa medicamentos imunossupressores pelo o resto de suas vidas. Os principais medicamentos utilizados são aqueles do grupo da Ciclosporina, Azatioprina e da Prednisona e são administrados de forma balanceada pelos médicos para cada caso. A rejeição ocorre na maioria dos casos de transplantes e pode ser mais facilmente controlada quanto maior for a compatibilidade entre o doador e o receptor. Em primeiro lugar, eles devem ter o mesmo tipo sangüíneo, ou seja, os mesmos fatores do sistema ABO e Rh. Em segundo, devem ter ainda, a maior semelhança possível em relação ao sistema genético HLA. No momento do transplante, o objetivo da Central de Transplante é compatibilizar os doadores e receptores para o HLA, procurando os idênticos ou os mais próximos possíveis, em especial quando estes não têm qualquer grau de parentesco. É uma questão de sorte: a chance de se encontrar um doador compatível varia entre um para 10 mil e um para 100 mil entre pessoas que não apresentam nenhum grau de parentesco.

• QUEM FAZ TRANSPLANTE NO BRASIL?
Segundo o Ministério da Saúde, existem no Brasil cerca de mais de 100 instituições cadastradas para realizar transplante de órgãos: Rim (111), Medula óssea (13), Fígado (6), Coração (9) e Pulmão (3). Deste total, 40 estão localizados na Região Sul (PR, SC, RS) dos quais, 20 são Hospitais do Rio Grande do Sul.

• QUEM PAGA A CONTA DOS TRANSPLANTES?
Em geral, os transplantes são pagos pelo Serviço Único de Saúde (SUS). A maioria dos planos privados de saúde não cobre este tipo de atendimento. A propósito, a grande maioria destes planos somente funciona adequadamente enquanto você não precisa deles. No ano de 1996, foram realizados pelo SUS, segundo o Ministério da Saúde, 1954 transplantes de órgãos: Rim (1501), Coração (65), Fígado (115), Pulmão (6), Medula óssea (267), além de 1551 de Córnea. No primeiro quadrimestre de 1997 foram realizados 569 transplantes de órgãos no Brasil, sendo 420 de Rim, 15 de Coração, 40 de Fígado, 01 de Pulmão e 93 de Medula Óssea.

• TENHO RECEIO DE QUE MEUS ÓRGÃOS SEJAM COMERCIALIZADOS. É POSSÍVEL?
Isso é um rumor. Tem tantas variáveis envolvidas, que as chances de comercialização são desprezíveis. O fato trágico e triste é que muitas pessoas acreditam em rumores deste tipo o que contribui para a diminuição do número de doações. Uma coisa é certa: até hoje, em nenhum lugar do mundo foi comprovado o rumor de que existe um "mercado negro" de órgãos para transplante. O fato trágico e triste é que muitas pessoas acreditam em rumores deste tipo e isso pode contribuir para a diminuição do número de doações. Em países como a Índia são vendidos órgãos como rins. Mas lá, essa é uma operação legal. Não é um mercado negro. São pessoas pobres que voluntariamente "doam" rins em troca de alguma compensação.

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